Às voltas de uma encomenda que nos vai levar a Évora no Carnaval, o tempo em Janeiro tem avançado como em Dezembro: o fim do mês a precipitar-se, o blogue abandonado e os mochos rascunhados no caderno por fazer...
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
dezembro
Por alguma estranha razão, em Dezembro os ponteiros contam o tempo de uma maneira diferente dos outros meses. Primeiro é Novembro, não cheira a natal e as montras que se antecedem com luzes e enfeites parecem disparatadas. Mas depois de repente o tempo acelera e já estamos nos quinzes, dezasseis, e o natal quase aí e ainda tanto por fazer... Acontece-me o mesmo todos os anos. Primeiro não faço porque não cheira a natal, depois não faço porque já não me sobram tempos para secar, pôr no forno, às vezes pintar e pôr no forno outra vez... Sobram-me ideias. Talvez para o ano...
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
em ensaios
Em voltinhas pela baixa à procura de necessidades para o Inverno apareceu-nos, muito camuflada pelos andaimes de uma obra vizinha, uma lojinha de carimbos. No meio de carros e camiões e casinhas e muitos outros (que concerteza seriam muito apreciados e carimbados cá por casa) descobri uma árvore. Assim com ar de estar ainda a crescer. Mesmo, mesmo, mesmo o que eu precisava para os cartões.sexta-feira, 16 de novembro de 2007
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
filho de peixe gosta de água
O grande problema de fazer barro e ter um bebé pequenino em casa era ter sempre as mãos (muito) acastanhadas e empoeiradas quando ele acordava e chorava e caía e pedia água e precisava de mudar a fralda.O grande problema de fazer barro e ter um menino de quatro anos e meio em casa é ouvir Eu também quero, eu também quero fazer barro! sempre que me sento na mesa de trabalho. Hoje eu desisti de fazer uns gatos mas ele esticou, cortou e marcou uma família de peixes.
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
colar 9
Não que se possa dizer que os outros são artificiais mas as duas viagens ao forno (uma para cozer o barro e uma outra para cozer o vidrado) esconde-lhes sempre o branco ou o alaranjado natural. O sete e este nove desunem-se dos anteriores logo pela ausência dos brilhos: como os novecentos e muitos graus só os aquecem uma vez ficam com o preto e com o rosa alilasado das pastas refractárias de que são feitos à vista. Preto e rosa demasiado bonitos (digo eu...) para desaparecerem debaixo de outras cores. Mais naturais, acho sempre estes mais naturais.quarta-feira, 7 de novembro de 2007
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
gato direito 6
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
terça-feira, 30 de outubro de 2007
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
no fundo
O alerta veio do miúdo, que os aprovou automaticamente, não só para amealhar, mas também para protagonizarem brincadeiras e estórias. Partir? Mas eu não os vou querer partir quando estiverem cheios, eu gosto muito deles. Para não recorrer às tampinhas de plástico (por serem tampas e por serem de plástico) agora têm uma "tampinha" de barro - uma parte preparada para ceder ao ser martelada (com jeitinho!), deixar sair as moedas e manter o bicho sem um arranhão. Embora, digo eu, tenha muito menos encanto do que os cacos e as moedas desarrumados pelo chão...terça-feira, 16 de outubro de 2007
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
papa-moedas

Queria que o meu miúdo tivesse um mealheiro. O arrecadar os cêntimos pequenos dos trocos, o abanar para ouvir o tilintar das moedas, o engordar, o escaqueirar para trocar por um desejo. Não (tanto) por uma questão de economia mas sobretudo por uma de magia: na infância tudo o que torne os sonhos possíveis pode ser mágico. Mas os mealheiros (se calhar muito por culpa dos cento e cinquenta e dos chineses) desfiguraram-se em caixas com tampinhas em baixo que se assaltam facilmente e que não alimentam fantasias. Foi assim que nasceu o primeiro papa-moedas. Um porco, claro.Vendido.
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
gato direito (5)

Uma prosa sobre os meus gatosPerguntaram-me um dia destes
ao telefone
por que não escrevia
poesia (ao menos um poema)
sobre os meus gatos;
mas quem se interessaria
pelos meus gatos,
cuja única evidência
é serem meus (digamos assim)
e serem gatos
(coisa vasta, mas que acontece
a todos os da sua espécie)?
Este poderia
(talvez) ser um tema
(talvez até um tema nobre),
mas um tema não chega para um poema
nem sequer para um poema sobre;
porque é o poema o tema,
forma apenas.
Depois, os meus gatos
escapam de mais à poesia,
ou de menos, o que vai dar ao mesmo,
são muito longe
ou muito perto,
e o poema precisa do tempo certo
de onde possa, como o gato, dar o salto;
o poema que fizesse
faria deles gatos abstractos,
literários, gatos-palavras,
desprezível comércio de que não me orgulharia
(embora a eles tanto lhes desse).
Por fim, não existem «os meus gatos»,
existem uns tantos gatos-gatos,
um gato, outro gato, outro gato,
que por um expediente singular
(que, aliás, também absolutamente lhes desinteressa)
me é dado nomear e adjectivar,
isto é, ocultar,
tendo assim uns gatos em minha casa
e outros na minha cabeça.
Ora só os da cabeça alcançaria
(se alcançasse) o duvidoso processo da poesia.
Fiquei-me por isso por uma prosa,
e mesmo assim excessivamente corrida e judiciosa.
ao telefone
por que não escrevia
poesia (ao menos um poema)
sobre os meus gatos;
mas quem se interessaria
pelos meus gatos,
cuja única evidência
é serem meus (digamos assim)
e serem gatos
(coisa vasta, mas que acontece
a todos os da sua espécie)?
Este poderia
(talvez) ser um tema
(talvez até um tema nobre),
mas um tema não chega para um poema
nem sequer para um poema sobre;
porque é o poema o tema,
forma apenas.
Depois, os meus gatos
escapam de mais à poesia,
ou de menos, o que vai dar ao mesmo,
são muito longe
ou muito perto,
e o poema precisa do tempo certo
de onde possa, como o gato, dar o salto;
o poema que fizesse
faria deles gatos abstractos,
literários, gatos-palavras,
desprezível comércio de que não me orgulharia
(embora a eles tanto lhes desse).
Por fim, não existem «os meus gatos»,
existem uns tantos gatos-gatos,
um gato, outro gato, outro gato,
que por um expediente singular
(que, aliás, também absolutamente lhes desinteressa)
me é dado nomear e adjectivar,
isto é, ocultar,
tendo assim uns gatos em minha casa
e outros na minha cabeça.
Ora só os da cabeça alcançaria
(se alcançasse) o duvidoso processo da poesia.
Fiquei-me por isso por uma prosa,
e mesmo assim excessivamente corrida e judiciosa.
António Manuel Pina, Nenhuma palavra e nenhuma lembrança in Poesia reunida (1974-2001), Assírio & Alvim
Nada mais adequado para um blogue que está a ficar monotemático do que um poema igualmente monotemático de um poeta que cada vez se ouve mais cá por casa...
Vendido.
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
gato direito (4)
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
recomeço
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